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4 concertos e novos encontros

O mês de Junho foi marcado por quatro concertos do ars ad hoc, com programas que partilharam algumas peças entre si.

Como habitualmente, o primeiro sábado do mês foi dedicado ao encontro com a música que ouvimos, naquela que foi a última sessão Que música ouvimos? da temporada. O convidado foi o compositor Bernardo Lima, que nos trouxe uma nova perspectiva sobre Atmosphères [1961], de György Ligeti (1923 – 2006). Antecipando o concerto com que, a 22 de Junho, o ars ad hoc se estrearia no Festival lnternacional de Música de Espinho, a Arte no Tempo respondeu com a partilha de uma gravação de Stalag VIIIA [2018], de Tristan Murail (1947), nesta sessão que foi conduzida por Ana Cancela. José Rebocho-Christo levou-nos à antiga Sala do Capítulo do Museu de Aveiro / Santa Joana onde, mais uma vez, nos fez viajar no tempo.

ars ad hoc a interpretar “Dérive I”, de Pierre Boulez (1925-2016) 📷 André Delhaye / Serralves

No fim-de-semana seguinte, o ars ad hoc iniciou o conjunto de 4 concertos com que se apresentaria em público num espaço de 8 dias. O primeiro foi a 15 de Junho, a encerrar a sua mini-temporada de concertos em Serralves, exclusivamente dedicada à música contemporânea. Este primeiro programa reuniu a estreia nacional do trio Antilope [2018], uma obra para clarinete baixo, violoncelo e piano de Oscar Bianchi (1975), a estreia absoluta de Shattered Shivers [2025], quinteto pierrot composto por Andreas Bäuml (1991) por encomenda Arte no Tempo, na sequência de uma chamada para compositores aberta no Verão passado, a interpretação do magnífico Trio III [2008], que José Manuel López López (1956) trabalhara com o ars ad hoc na véspera (e que o grupo havia já apresentado em estreia nacional em Fevereiro passado, no Teatro Narciso Ferreira), concluindo com a celebração do centenário do nascimento de uma das figuras mais influentes no mundo musical do século XX, através da interpretação de Dérive I [1984], de Pierre Boulez (1925-2016).

J. M. López López 📷 André Delhaye / Serralves
Andreas Bäuml 📷 André Delhaye / Serralves

Três dias depois, o ars ad hoc apresentava-se no belíssimo Teatro Cinema, em Fafe, com a mesma peça de Andreas Bäuml, o quinteto a [2024], de Pedro Berardinelli (1985) e o par de clássicos mais tocado pelo grupo: as transcrições para quinteto pierrot do Prélude à l’après midi d’un faune [1894], de Claude Debussy (1862-1918), elaborada por Tim Mulleman, e de Trois mouvements de Pétrouchka [1921], de Igor Stravinsky (1882-1971), da lavra do flautista do ars ad hoc, de Ricardo Carvalho.

Momento especial foi a estreia do ars ad hoc num dos mais emblemáticos festivais portugueses, a que, cada um à sua maneira, todos estamos afectivamente ligados. Foi no dia 22 que o ars ad hoc apresentou o mais coerente dos programas, no Auditório de Espinho, no âmbito da 51ª edição do Festival Internacional de Música de Espinho. Àquele mesmo par de clássicos franceses que o ars ad hoc muito tem tocado, juntou em Espinho a genial Talea [1986], de Gérard Grisey (1946-1998) e, em estreia nacional, Stallag VIIIa [2018], Tristan Murail (1947).

📷 51º FIME – 22 de Junho de 2025
📷 51º FIME – 22 de Junho de 2025

No dia seguinte, segunda-feira, o grupo de câmara da Arte no Tempo apresentava-se com os já referidos quintetos de Debussy, Bäuml, Berardinelli e Grisey, em mais um Concerto Antena 2, transmitido em directo a partir do Auditório do Museu do Oriente, em Lisboa.

Para a Arte no Tempo, o mês encerrou logo no dia seguinte, 24 de Junho, com o lançamento do episódio 42 do podcast Vortex Temporum, no qual o italiano Alessandro Perini (Cantú, 1983) nos confronta com a estranha realidade da gestão do desperdício alimentar, no documentário “dumpsterdiving and food saving”.

[30.06.2025]