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Portugal

De vez em quando, é-se agradavelmente surpreendido por acções de rigorosa persistência que, sem qualquer espalhafato, fazem toda a diferença.

Este verão tive oportunidade de assistir, pela primeira vez, a uma das sessões que o Atelier de Composição tem vindo a realizar na livraria Gato Vadio, em torno da música portuguesa dos nossos dias e dos seus criadores.
Na sessão em causa, era Luís Antunes Pena quem entrevistava António Sousa Dias. É claro que são essencialmente os protagonistas quem faz a sessão, mas não foi rever o António Sousa Dias e ouvi-lo no seu tom exaustivo mas despretensioso, nem revisitar a acidez das vírgulas de alguma assistência de todos já conhecida, nem mesmo rever um amigo como o Luís (e outros) aquilo que me devolveu a casa um pouco menos pobre do que ali cheguei. O que me agradou foi que se ouviu e falou de música sem o ar de que “estamos aqui a fazer uma grande coisa”. E a plateia, mesmo que aqui e ali pudesse ser pontuada por quem não quer faltar na fotografia, parecia sobretudo interessada em partilhar a música. Essa informalidade associada ao interesse pelo conteúdo partilhado parece conter uma mensagem muito forte: não são necessários milhões nem muita visibilidade para que se partilhe algo com verdadeiro significado.

Passados alguns dias, ouvi em S. Pedro de Rates um concerto que resulta de outro trabalho muito sério de Pedro Sousa Silva. No âmbito do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim, estrou-se o projecto Arte Mínima, com música de Estêvão Lopes Morago interpretado por alguns músicos muito valiosos. Recomenda-se vivamente o concerto de 24 de Outubro em que a mesma música poderá ser novamente ouvida, na Igreja de S. Roque (Lisboa).

Temos em Portugal músicos absolutamente notáveis.
Os canais televisivos e os jornais de grande tiragem que fabricam estrelas não parecem muito sensíveis a estes pequenos grandes acontecimentos. E o desconhecimento generalizado de pérolas desta natureza faz com que apenas uns poucos felizardos possam disfrutar do trabalho sério que por cá se faz.

Diana Ferreira

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