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Cândido Lima no MAN

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Após o sucesso da última quinta-feira, com Isabel Soveral e Ricardo Ribeiro, interpretados por Gilberto Bernardes e Filipe Quaresma, esta noite recebemos o compositor Cândido Lima no Museu Arte Nova.

banner site AnTCompositoresAlgumas viagens ao interior da alma

Na passada quinta-feira, muitos rostos que não haviam antes visitado as noites de ‘Música no Museu’ marcaram presença naquela que foi a sessão mais procurada do projecto Omnia Mutantur. A tal facto não terá sido alheio o pormenor de a sessão de abertura do ciclo “Compositores na primeira pessoa (II)”, protagonizada por Isabel Soveral, ter sido seguida de um recital que encheu o piso superior do Museu Arte Nova, povoada de música da referida compositora e de Ricardo Ribeiro, na interpretação de Filipe Quaresma (violoncelo) e Gilberto Bernardes (saxofone e electrónica ao vivo).

Esta semana, o convidado é Cândido Lima, compositor nascido em Viana do Castelo mas inequivocamente associado à cidade do Porto, onde fundou o Grupo Música Nova (1973) e dirigiu o Curso de Composição da Escola Superior de Música do Porto (agora ESMAE), sendo Professor Coordenador de 1986 a 2000.

Além dos Cursos Superiores de Piano e de Composição, Cândido Lima estudou Filosofia, doutorando-se mais tarde em Estética, na Universidade de Paris I – Sorbonne, tendo realizado estudos sobre luz, côr e imagem em composição musical, bem como sobre audiovisuais e o compositor, sob a orientação de Michel Guiomar e de Iannis Xenakis (compositor grego de cuja música é reconhecidamente o embaixador português). 

Cândido Lima, que se afirma como o primeiro compositor português a utilizar o computador em composição musical, esteve também ligado às Reformas do Ensino da Música das décadas de 70, 80 e 90, “introduzindo nos programas novos conteúdos interdisciplinares, das músicas, das artes e das ciências”. Autor de séries de programas de televisão e de rádio na década de 80, foi apresentador de temporadas de concertos da Juventude Musical de Braga e do Porto, da Pró-Arte, do Círculo de Cultura Musical e de outros organismos do Norte, tendo ainda apresentado séries de concertos comentados no Instituto Francês do Porto (“Introdução à Música Contemporânea”, com registos audiovisuais do IRCAM), na Secretaria de Estado da Cultura (“Janelas sobre o Novo Século”, 1984) e na Casa de Serralves (obras e concertos para exposições de Vieira da Silva e de Tapiès, entre outros eventos). 
O compositor, que ensinou no Conservatório de Música de Aveiro de Calouste Gulbenkian, visita esta noite a cidade para nos conduzir numa breve e variada viagem ao interior da sua alma, trazendo consigo algumas obras cuja escuta partilhará com o auditório do Museu Arte Nova. Na prometida viagem não poderão faltar pedaços de “Oceanos” (1978)- obra electroacústica realizada nos Estúdios da Universidade de Vincennes e no sistema UPIC (idealizado por Xenakis), do Centre d’études de mathématique et d’automatique musicales (CEMAMU).


Continuaremos a ouvir os “Compositores na primeira pessoa (II)” até 20 de Novembro- Dimitris Andrikopoulos, Carlos Caires e Virgílio Melo– sempre à quinta-feira, às 21h30, no Museu Arte Nova (entrada pela Praça do Peixe).

[a partir de texto publicado no Diário de Aveiro de 30.Outubro.2014]

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