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Arte no Tempo em trânsito

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Ao mesmo tempo que, em Viseu, a Orquestra XXI prepara a sua 4ª digressão, Ana Cancela orienta em Aveiro mais uma sessão de Música no Museu– iniciativa com que semanalmente celebramos a música no Museu Arte Nova (Aveiro).

musicaeoutrasareas bannersiteANTA convidada desta semana volta a ser Ana Cancela, que na quinta-feira passada desenhou uma ponte entre o atonalismo musical e a abstracção pictórica. Desta vez é sobre convergências de arquitectura e música que vem falar, abordando obras arquitectónicas efémeras projectadas para a realização de uma obra musical específica, como é o caso das duplas Le Cobusier (Xenakis)/Varèse (Exposição Universal de Bruxelas, 1958) e Renzo Piano/Luigi Nono (Prometeo: trageddia dell’ascolto, 1984), passando ainda por Bornemann/Stockhausen (Exposição Universal de Osaka, 1970).

«A ocupação do espaço e a sua relação com o homem representa uma das maiores preocupações dos arquitectos do século XX. Em simultâneo, principalmente devido ao avanço das novas tecnologias na música, a “posse do espaço” tornou-se igualmente uma preocupação cada vez mais premente. Sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, algumas considerações musicais com a organização do ritmo, harmonia e forma foram suplantadas por considerações espaciais, como a disposição dos artistas dentro de um auditório e a capacidade de canalizar o som eletronicamente entre vários altifalantes, dentro do espaço arquitectónico. Assistiu-se a uma troca de influências de elevado interesse entre as duas manifestações artísticas, expressas simultaneamente na História da Arquitectura e Música Contemporânea.»
O objecto da sessão passa por analisar a forma como a ocupação do espaço sonoro interfere na criação da arquitectura.

BrunoJoanaBourgard PublicoNo noite seguinte, no Claustro Grão Vasco da Pousada de Viseu (21h30), traz-se novamente a público outro projecto da Arte no Tempo, este com grande impacto junto do público geral e caracterizado pela congregação de jovens músicos portugueses residentes no estrangeiro. Trata-se naturalmente da Orquestra XXI, dirigida pelo maestro Dinis Sousa, que para além de interpretar a Sinfonia nº 40 de Mozart e o concerto “Dumbarton Oaks” de Igor Stravinsky, completará o programa da sua 4ª digressão acompanhando o violoncelista Bruno Borralhinho no Concerto em Lá menor de Carl Philipp Emanuel Bach, repetindo a mesma proposta musical nos dias subsequentes na Covilhã (Teatro Municipal: 17h30) e Lisboa (Culturgest: 17h00).

Muito antes da Orquestra XXI voltar a reunir-se em Portugal, já na próxima semana é o compositor brasileiro Elder Oliveira quem virá ao Museu Arte Nova apresentar a obra do romeno Iancu Dumitrescu à luz da fenomenologia.

O encontro está sempre marcado para a quinta-feira, às 21h30, no Auditório do Museu Arte Nova (com acesso pela Praça do Peixe).

 

[a partir do texto que será publicado no Diário de Aveiro de 05 de Março de 2015]

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