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Perfil | Adriana Ferreira

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A flautista Adriana Ferreira (Cabeceiras de Basto, 1990), solista da Orquestra Nacional de França desde 2012, tem sido premiada em concursos internacionais como Carl Nielsen (Dinamarca), Concours de Geneve e Kobe (Japão). Depois de passar pela Artave, estudou no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris, na Universidade Paris-Sorbonne e na Escola Superior de Música Hanns Eisler de Berlim.
Apresenta-se na próxima terça-feira na Casa da Música no recital de Solistas da Orquestra XXI.

003.AdrianaFerreira[Arte no Tempo/Orquestra XXI] Quando acabaste o curso secundário, foste logo para Paris. O que te levou a procurar essa cidade? A escola (Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris), o corpo docente ou a própria cidade?
[Adriana Ferreira] Antes de acabar o ensino secundário participei em várias masterclasses, algumas delas muito importantes pois vários foram os professores estrangeiros a aconselhar-me sobre a escola onde eu deveria prosseguir os estudos superiores. No entanto, quase todos me aconselharam a mesma escola e a mesma professora… Devo dizer que a afinidade com a tradição ou “escola” francesa de flauta foi também um dos motivos principais que me fez querer estudar em Paris, embora isso seja muitíssimo relativo e cada vez se torne mais global a forma como abordamos o nosso instrumento. Por último, estudar numa grande cidade tem inúmeras vantagens…

Com apenas 24 anos, concluiste o Mestrado no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris (CNSMDP) na classe de Sophie Cherrier e Vincent Lucas, frequentaste a Escola Superior de Música Hanns Eisler de Berlim (Erasmus), és licenciada em Musicologia pela Universidade Paris-Sorbonne e concluíste recentemente o 3º Ciclo Superior em Repertório Contemporâneo no CNSMDP. O que te leva a investir tanto na tua formação e como consegues conciliar a formação com a actividade profissional?
A nossa profissão é extremamente diversificada, pelo que penso e defendo que a nossa formação também assim o deve ser.  Admito não fazer grande distinção entre a formação e a actividade profissional, pois tudo se complementa: aprendemos a cada dia, a cada semana, em cada ensaio ou concerto… Creio que quanto mais vasta for a nossa formação e experiência profissional, maiores probabilidades teremos de ser cada vez melhores músicos.

O que te levou a dedicares-te agora à música contemporânea?
O repertório contemporâneo para flauta é vasto e de grande qualidade, pelo que sempre quis abordá-lo mais aprofundadamente. O 3o ciclo superior que terminei agora permitiu-me uma familiarização muito maior com este repertório, o que espero desenvolver cada vez mais no futuro.

Quais são as maiores diferenças que identificas na atenção que é dedicada à música dos nossos dias em França e em Portugal?
Na realidade, não tenho uma visão alargada sobre o que é feito em Portugal no domínio da música contemporânea. Em França a abordagem de repertório contemporâneo é parte integrante do currículo de estudos, está presente nos mais diversos eventos, é extremamente fomentada e constitui parte integrante da prática musical.

Tocar em orquestra foi um objectivo conseguido ou foi uma oportunidade que surgiu por acaso?
Devo dizer que foi uma oportunidade que surgiu por acaso mas que acabou por ser um objectivo conseguido. Quando a vaga abriu, os meus professores insistiram para que eu me inscrevesse, para que pudesse ver como era uma prova de orquestra “na vida real”. Eu não pensava cumprir o objectivo tão cedo, mas sinto-me extremamente realizada por isso ter acontecido.

Tens colaborado na maioria dos programas da Orquestra XXI. Como encaraste a proposta de te associares a um projecto de jovens músicos portugueses residentes no estrangeiro?
Dada a força do conceito da Orquestra, apenas poderia encarar a proposta de uma forma positiva. A Orquestra XXI acaba por fazer algo único e relevante no panorama musical português, pelo que me sinto grata em participar no projecto.

Que projectos tens para a próxima temporada? Qual deles consideras mais estimulante?
O meu próximo projecto mais importante é o lançamento do meu terceiro CD, a solo com a Orquestra de Câmara de Genebra, a realizar no próximo mês de Novembro com o apoio dos relógios Breguet e no âmbito do Concurso de Genebra. Por outro lado, estamos neste momento a organizar igualmente uma tournée de concertos de música de câmara com laureados do concurso em França e na Suíça, a realizar daqui a um ano. Além do meu trabalho na orquestra e de outros concertos, masterclasses e júris, vou escrever alguns artigos sobre performance para publicação.

Um regresso a Portugal é uma possibilidade no horizonte?
Não faço planos para o futuro, pelo que não posso responder à vossa questão…

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