
Faz hoje 4 anos que o ars ad hoc realizou um concerto em condições especiais.
Com o atraso da comunicação dos resultados das candidaturas ao Programa de Apoio a Projectos na área da Criação e Edição da Direcção-Geral das Artes (que chegariam mais de 3 semanas depois da data do concerto), sem qualquer garantia de virmos a ter capacidade para remunerar os músicos por aquele programa, tínhamos duas possibilidades: cancelar o concerto e interromper a temporada (organizada sempre de Outono a Verão) ou encontrar financiamento “extraordinário” e não privar os músicos de um concerto que, mesmo assim, não saberíamos se seria o último da temporada (ou até do próprio grupo).
Com todo o embaraço de quem se vale de um conhecimento pessoal arriscando colocar o destinatário numa situação também embaraçosa, contactámos o Engº António Oliveira expondo a situação e pedindo ajuda (prometendo incluir o logo da OLI em toda a comunicação do concerto, no caso de um eventual apoio).
A empresa não tinha interesse em apoiar a actividade (que não se enquadrava na sua estratégia de mecenato e de envolvimento com a comunidade) e, na verdade, nem a música com que a Arte no Tempo mais trabalha interessava ao Engº António Oliveira. Não obstante, compreendendo a situação delicada, prontificou-se a ajudar a Arte no Tempo cobrindo os custos do concerto em questão.
Por razões que nos ultrapassaram, a Fundação de Serralves não permitiu que o logotipo da OLI fosse incluído nos materiais de comunicação (a não ser, inexplicavelmente, no programa impresso). Apesar disso, compreendo o nosso redobrado embaraço, a OLI manteve o seu apoio, num gesto de solidariedade que não poderemos (nem queremos) esquecer.
Este é um dos imensos (e seguramente não dos mais interessantes ou significativos) episódios de solidariedade que compõem a história de um homem inteligente, ponderado, empreendedor, responsável, culto, sensível, generoso e muito corajoso, a quem manifestamos a nossa singela homenagem, dedicando-lhe o próximo concerto do grupo, que terá lugar a 1 de Fevereiro, no Auditório de Serralves.
O apoio da DGArtes acabou por se verificar. No ano seguinte, a Arte no Tempo voltou a ter o apoio sustentado que ainda mantém. Em 2024, o ars ad hoc passou a contar com um apoio da Fundação “la Caixa”.
Entretanto com um pouco mais de público, já em 2025, lançou um álbum discográfico.
Para 2026-27, receberá, pela primeira vez, um apoio da Fundação Ernst von Siemens.


[20.01.2026]