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TNSoMDN

Música: Tiago Cutileiro
Encenação: Sónia Baptista, Leonor Keil e André e. Teodósio
Interpretação: Inês Simões, Nélia Gonçalves, Maria Ermida;
]agrupamento ars ad hoc[

Duração: 120 minutos
Classificação etária: a partir dos 12 anos

Guarda • Castelo Branco • Porto • Aveiro • Évora | Fevereiro/Março 2019

Tudo Nunca Sempre o Mesmo Diferente Nada (TNSoMDN) é um projecto operático dentro do que se poderá chamar música ‘não-narrativa’. Não deixando de ser uma ópera, no seu sentido mais clássico, o projecto envolve uma concepção simultânea de música, libretto, projecção vídeo, e encenação que, apesar da música ‘não-narrativa’, de uma partitura ‘não-determinista’, e de uma encenação não discursiva, promove uma percepção quase linear do texto como elemento centralizador. Este libretto usa diversos micro-fragmentos de diferentes escritores/autores, arranjados por forma a criar um discurso coerente entre três personagens. O conceito de história é pois questionado mas nunca abandonado e a noção de ópera como drama embora abalada é intencionalmente mantida. O carácter fragmentário conferido pela teia de textos de diferentes origens é reforçado, nesta produção, pela encenação tripartida distribuída por três encenadores — Leonor Keil, André e. Teodósio e Sónia Baptista. Cada secção da ópera é assim interpretada por uma diferente perspectiva cénica induzindo mais rupturas num já ténue fio narrativo a unir as personagens.

Apresentada em quatro actos, a ópera é uma sucessão de doze cenas de dez minutos cada, resultando numa duração total de 120 minutos. A partitura não determinista produz um resultado diferente a cada nova realização. Ainda assim, o minimalismo do material sónico e cénico limita essa diversidade de resultados. Apesar de usar um pequeno grupo de músicos (12 no total — 4 cantores, um quarteto de clarinetes e um quarteto de cordas), e resultar num volume sonoro relativamente reduzido, TNSoMDN não é uma ópera de câmara. É uma produção pensada para um grande palco, onde a video projecção, a electrónica em tempo real, os personagens cantores, e a cenografia, embora minimais e/ou condensados, inserem-se na tradição da grande ópera, quer através da sua escala temporal e de espaço, quer através do seu fio narrativo, centrado nos temas paradigmáticos da natureza humana — duas personagens apaixonam-se, envelhecem, desiludem-se e recordam as suas vidas enquanto uma terceira personagem, a narrativa, as acompanha como um fantasma das suas próprias histórias/memórias.