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Aveiro_Síntese 2018

bienal de música electroacústica

16 a 25 de fevereiro de 2018

Teatro Aveirense

Música acusmática e mista, concertos com músicos profissionais e com estudantes de música de norte a sul do país, conversas informais e um colóquio sobre os recursos para a criação de música electroacústica, várias estreias e revisitações de grandes clássicos, um projecto de criação comunitária, oficinas e o lançamento de uma colectânea de partituras para instrumento solo e electrónica dedicadas a estudantes (dos 6 aos 18 anos), tudo isto caberá numa bienal que se pretende espaço de encontro com a música, com todos e para todos.

Mantendo a preocupação de fazer contracenar repertório histórico com novas criações, assim como autores portugueses e estrangeiros, o 3º Aveiro_Síntese assinala a passagem dos 50 anos da síntese por FM– descoberta de John Chowning (1934), em 1967 – e os 70 anos dos primeiros estudos de música concreta– “Estudos de Ruídos” (1948) de Pierre Schaeffer (1910-1995). Momento privilegiado para reflectir sobre as duas “correntes” associadas a esses dois vultos– música por computador vs música concreta– nele serão homenageadas outras duas figuras de proa entretanto desaparecidas– Jean-Claude Risset (1938-2016) e Pierre Henry (1927-2017), com a presença de John Chowning (CCRMA) e Daniel Teruggi (1952; GRM).

O maior destaque caberá, no entanto, à música de compositores portugueses, marcada também pela morte da compositora Clotilde Rosa (1930-2017), de quem aqui se ouvirá em estreia absoluta uma peça composta no último verão para o Aveiro_Síntese de 2018.

dia 16, sexta-feira

21h30 | 21h30 | c1 Horácio Ferreira (clarinete)

Jean-Claude Risset | Attracteurs Étranges (1988)
clarinete e electrónica, ca 18′

João Pedro Oliveira | Neshamah (2015)
electrónica em suporte fixo, 8 canais (ca 12′)

Jean-Claude Risset | Songes (1979)
electrónica em suporte fixo, 4 canais (ca 9′)

Carlos Caires | Limiar (2002)
clarinete e electrónica em tempo real (ca 8′)

22h30 | [i] MicroSonic Spaces AV

autoria: Rui Dias

O conceito central de Microsonic Spaces é a criação de um sistema de geração musical autónomo e interactivo, baseado na ideia de um ecossistema de agentes virtuais com vida e comportamentos próprios, que se desenvolvem e transformam de forma dinâmica, em resposta ao ambiente envolvente e à interacção com os visitantes do espaço da instalação. Musicalmente, é explorado o formato da instalação interactiva como um sistema composicional dinâmico, não linear, que combina os parâmetros de geração de som e critérios musicais estabelecidos, com as características e idiossincrasias próprias do formato instalação interactiva e ao tema e conceitos de cada instalação.


Microsonic Spaces AV surge como um desenvolvimento da instalação Microsonic Spaces (2016), criado para o festival Castelo de Artes, em Castelo Branco, que, por sua vez, teve origem na instalação sonora “Urban Algae Folly Extended”, apresentada na galeria INL no espaço GNRation, em Braga, entre Abril e Julho de 2016.


Microsonic Spaces AV foi implementado em MaxMSP e Processing, resultando de uma encomenda da Arte no Tempo com apoio da Direcção Geral das Artes e da Câmara Municipal de Aveiro.

A instalação está acessível nos dias 16, 17, 18, 21, 22, 23, 24 e 25, no final dos concertos com início às 21h30. 
Na primeira noite, o compositor fará a apresentação da instalação, às 22h30.

dia 17, sábado

18h30 | c2 À escuta dos sonhos

projecto de criação comunitária dirigido por João Martins,

com alunos da EB1 de Santiago, Aveiro 
e com o D’ARte — Projeto Artístico e Comunitário. 


João Martins > concepção, dramaturgia e sonoplastia
Eunice Almeida (D’ARte) > apoio à encenação 



Criadores-Intérpretes:

[4º A] Ana Beatriz Barbosa, Ana Catarina Gaspar, Ana Catarina Ferreira, Ana Luísa Clemente, Catarina Santos, Francisco Andias, Gonçalo Maia, Guilherme Pereira, Joana Laranjeira, Jorge Melo, Joshua Pinto, Maria Martins. Mariana Pereira, Miguel Silva, Raissa Vitorino, Rúben Martins, Rúben Aguiar, Sebastião Vale, Sofia Rodrigues, Vicente Ribau;

[4ºB] Ana Rita Marnoto, Anais Itriago, André Guilherme Pacheco, Carolina Branco, Diogo Alexandre Branco, Filipe Martins, Igor Santos, Íris Koszucka, Laura Sofia Oliveira, Luís Filipe Sousa, Maria Francisca Cardoso, Mariana Bernardo, Marina Cruz, Miriam Sousa, Nathalia Santos, Rafael Alexandre Moreira, Rosa Maria Matias, Sophia Papini, Tiago Duarte Ferreira;

Professoras: Paula Lopes (4º A), Virgínia Almeida (4º B) e Elisabete Ribeiro (Educação Especial).

[D’ARte] Ana Andrade, Andreia Ruela, Berta Vieira, Beatriz Dores, Conceição Correia, Carla Adão, Tiago Silva, Susana Leite, Inês Margaça, Ana Rita Fonseca, Miriam Ferreira.

21h30 | c3 Estudos Concretos

Jorge Peixinho (1940-1995) | A floresta sagrada (1992)
electrónica sobre suporte fixo (ca 13’)

8 estudos concretos de alunos do ensino artístico especializado da música, todos eles nascidos no ano de 2000:

Inês Alves (CMACG)
Clara Paracana (CMACG)
Manuel Nunes (CMACG)
Hugo Xavier (EMNSC)
Beatriz Chirife (EMNSC)
Miguel Fernandes (CMSJG)
Luís Lélis (CMACG)
Alexandre Ribeiro (CRMVR) 

Cândido Lima (1939) | Autómatos de Areia (1978/84)
electrónica sobre suporte fixo (ca 12’)  

CMACG | Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Aveiro

EMNSC | Escola de Música Nossa Senhora do Cabo 

CMSJG | Conservatório de Música de S. José da Guarda 

CRMVR | Conservatório Regional de Música de Vila Real{/slider}

dia 18, domingo

18h30 | c4 Nova Música para Novos Músicos

Dinis Sousa > direcção

Jean-Claude Risset (1938-2016) | Glissements (1981-82) 

para três instrumentos monódicos, piano (ou outro polifónico), percussão e electrónica sobre suporte fixo;
aqui em flauta, clarinete, trompa, piano e percussão (ca 10’) 

Tiago Lestre (1991) | Ardente refluxo da maré (2017) 

para violoncelo e electrónica sobre suporte (ca 3’)

Pedro Bento (1962) | Morhp 1 (2017) 

para trompa e sons sinusoidais (ca 2’)

Ângela Lopes (1972) | DITTY (2017)
para viola e electrónica sobre suporte (ca 2’)

Mariana Vieira (1997) | Reflexo (2017)
para eufónio e electrónica sobre suporte (ca 2’)

Diogo Novo Carvalho (1986) | Sílabas caídas (2017)
para contrabaixo e electrónica sobre suporte (ca 3’)

Paulo Ferreira Lopes (1964) | Circles (2017)
para trompete e electrónica em tempo real (ca 5’)

António Chagas Rosa (1960) | Surf (2018)
para trombone e electrónica sobre suporte (1’30’’)

Clotilde Rosa (1930-2017) | A Lira de Orfeu (2017)
para oboé e electrónica sobre suporte fixo (ca 5’)

Virgílio Melo (1961) | Sefer (2017)
para violino e electrónica ao vivo (ca 8’) 

 Luís Antunes Pena (1973) | Duo (2018) 

para acordeão e electrónica

Mariana Vieira | Movimentos flutuantes (2017) 

para 12 músicos e electrónica em suporte fixo (ca 8’)

[
1] Escola de Música do Conservatório Nacional 

[2] Escola Profissional de Música de Espinho
[3] Academia de Música de Arouca

[4] Escola Artística do Conservatório de Música de Aveiro Calouste Gulbenkian

[5] Escola de Música Nª Sra do Cabo

[6] Academia de Música de Vilar do Paraíso
[7] Conservatório Regional de Castelo Branco

[8] Escola de Música de S. Teotónio
[9] Conservatório de Música de S. José da Guarda



alunos dos professores João Coutinho, Sandra Camarinha (fl), Ana Filipa Assunção (ob), Vitor Pereira (cl), Eddy Tauber e Natália Faria (tpa), Rui Mirra (tpt), Ismael Santos (tbn), Nelson Carvalho (tba), Carisa Marcelino (ac), Rita Campos (hrp), Luís Peres (vln), Olena Sokolovska (vla), Ricardo Mota (vcl), Tiago Pereira (cb){/slider}

21h30 | c5 Música em Criação

Pedro Pereira > saxofone alto

Rui Cunha > saxofone barítono
João Tavares > baixo eléctrico

Bruno Félix > bateria

Frederic Cardoso > clarinete

Jorge Lima > percussão

Francisca Martins (1998) | Puking Inwards (2016/17)
para grupo instrumental variável com electrónica e video, 

aqui interpretada em saxofone alto e barítono, baixo eléctrico, bateria e electrónica (ca 8’)

Else Marie Pade (1924-2016) | Etude (1962)
electrónica em suporte fixo (ca 5’30’’)

Lucas Xerxes (1990) | Kowloon (2017)

electrónica sobre suporte fixo (ca 9’30’’)

Daphne Oram (1925-2003) | Four aspects (1960)
electrónica sobre suporte fixo (ca 8’)

Ruben Borges (1994) | Samsara (2016) 

para clarinete baixo, percussão e electrónica (ca 7’){/slider}

dia 19, segunda-feira
[Jardim Botânico da Universidade de Coimbra]

18h00 | Concerto de John Chowning na Estufa Grande

[em actualização]

dia 20, terça-feira
[Lisboa]

10h00 | Encontro com John Chowning [Escola Superior de Música de Lisboa]

[em actualização]

18h00 | Conferência/concerto com John Chowning
[Lisboa Incomum / Festival DME]

[em actualização]

dia 21, quarta-feira

18h30 | c6 CCRMA

obras de compositores associados ao Center for Computer Research in Music and Acoustics;

selecção elaborada por John Chowning

Leah Reid (1985) | Ring, Resonate, Resound (2014)

electrónica em suporte fixo (ca 7’30’’)

Elliot Canfield-Dafilou (1990) | 1’ve c0unt3d 7hat 1 b4 (2018) 

electrónica em suporte fixo

Alex Chechile (1980) | On the Sensations of Tone VIII (2015)
electrónica em suporte fixo

Jessie Marino (1984) | Grind a stone
electrónica em suporte fixo

Eoin Callery (1978) | …and now the Guitar started to listen to every thing I do. (2018)

electrónica em suporte fixo

Constantin Basica (1985) | Chapter 31, Pages 415-926 (2016) 

para octeto de cordas e video

21h30 | c7 Musique Concrète

Pierre Schaeffer (1910-1995) | Quatre études de bruits (1948) 

electrónica em suporte fixo (12’25’’)

Pierre Henry (1927-2017) | Fanfare et arc-en-ciel (2015)

electrónica em suporte fixo (ca 20’)

Pierre Schaeffer | Le trièdre fertile (1978)

electrónica em suporte fixo [excertos]

dia 22, quinta-feira

21h30 | c8 Mário Teixeira (percussão)

Diogo Silva | [sem título] (2018) 

para percussão e electrónica em tempo real

Pedro Berardinelli (1985) | de… (2017)

para instrumentos de madeira amplificados (ca 10’)

Jean-Claude Risset (1938-2016) | Five Resonant Sound Spaces (2001-2)
electrónica em suporte fixo, 8 canais (ca 14’30’)

Jean-Claude Risset | Nature contre nature (1996-2005) 

para percussão e electrónica em suporte fixo, 2 canais (ca 14’){/slider}

dia 23, sexta-feira 

18h30 | c9 GRM

obras de compositores associados ao Groupe de Recherches Musicales;
selecção elaborada por Daniel Teruggi

Bernard Parmegiani (1927-2013) | La roue Ferris (1971)

electrónica sobre suporte, em 2 canais (ca 13’)

Daniel Teruggi (1952) | Après une réécoute de Sud (2017) 

electrónica sobre suporte, em 8 canais (ca 10’)

Pierre Henry (1927-2017) | Labyrinthe (2003) 

electrónica sobre suporte – excertos (ca 16’)

Daniel Teruggi | Springtime (2013)
electrónica sobre suporte – versão para 8 canais (original: 30 canais) (ca 14’)

21h30 | c10 Música por computador

50 anos de síntese por FM

Maureen Chowning > soprano
John Chowning > composição e projecção


Jean-Claude Risset (1938-2016) | Sud (1984-85)

electrónica em suporte fixo (ca 24’)

John Chowning (1934) | Sabelithe (1971) 

electrónica em suporte fixo, 4 canais (ca 6’)

John Chowning | Turenas (1972) 

electrónica em suporte fixo, 4 canais (ca 10’)

John Chowning | Phonē (1981)

electrónica em suporte fixo, 4 canais (ca 13’)

John Chowning | Stria (1977)

electrónica em suporte fixo, 4 canais (ca 17’)

John Chowning | Voices (2005/11)

para soprano e electrónica em tempo real (ca 17’){/slider}

{slider=10h00 – 17h00 | [formação] colóquio “Incursão pelos recursos da electroacústica”}

com Pedro Bento, Helena Santana, Daniel Teruggi, Ricardo Guerreiro e John Chowning
(creditado para formação de professores)

Pedro Bento | A disponibilidade dos recursos electroacústica para a Criação Musical, 1906-1958: do Telharmonium de Cahill aos estúdios de Eindhoven
O alargamento das possibilidades que a Musique Concrète e a Electronische Musik trouxeram ao compositor é consequência de duas inovações do séc. XIX: o telefone e os dispositivos de gravação sonora. Enquanto que o princípio da transdução, que está na base do primeiro, permitiu que uma representação de qualquer som imaginável fosse convertido num sinal acústico correspondente, abrindo caminho a toda uma nova categoria de instrumentos muiscais, o princípio do segundo libertou o compoistor de se restringir a combinações de som que pudessem ser produzidas em tempo real, trazendo também consigo algumas formas de transformar sinais existentes.
Esta comunicação explora a história da gravação e dos recursos electroacústicos durante aproximadamente a primeira metade do séc. XX, do ponto de vista da composição musical: como as suas possibilidiades se desenvolveram, o que tinham para oferecer ao compositor, como é que os compositores apreendiam ou compreendiam essas possibilidades, como e quando tiveram acesso a elas.
São abordados instrumentos como o telharmonium (ou dynamophone) de Thaddeus Cahill, o dynaphone de René Bertrand, os vários tipos de theremins e Trautonums, e as ondes Martenot, alguns dos quais foram explorados por compositores como Honneger, Hindemith, Jolivet e Varèse.
Os escritos deste último são muito reveladores. Desde a sua chegada aos EUA, Varèse frequentemente verbalizou a forma como ansiava por instrumentos com possibilidades ilimitadas, discutindo com frequência o que procurava especificamente. Quando correlacionados com os recursos disponíveis, mudanças subtis no que à primeira vista poderiam parecer repetições da mesma ideia acabam por revelar um forte entendimento do potencial criativo destes recursos.
Em 1957-58 Varèse criou o seu “Poème Electronique” em Eindhoven, nas instalações postas à sua disposição pela Philips. Originalmente um fabricante de lâmpadas de incandescência, a Philips produziu na década de 1920 vários receptores de rádio e altifalantes bem sucedidos. Continuou a melhorar e a investigar ao nível da reprodução de áudio e, a partir da década de 1940, em sistemas de reverberação assistida. Na década de 1950 equipou um estúdio, que foi usado por Henk Badings para criar a sua peça electrónica “Abel en Cain .” Serão discutidos, quer do ponto de vista das suas características, quer do seu potencial musical, os recursos disponíveis neste estúdio, nas instalações onde Varèse trabalhou, e na Feira Internacional de Bruxelas em 1958, onde o “Poème Electronique” e a peça “Concret PH ” de Xenakis foram difundidas por cerca de 350 altifalantes.

Helena Santana | O UPIC de Iannis Xenakis – a ciência ao serviço da criação e da arte

Fruto da criação humana, a arte fomenta uma compreensão mais profunda do mundo que nos engloba. Como actividade artística revela a constante vontade do ser humano em se elevar e em estruturar os diferentes domínios da experiência humana, sendo a emanação, o eflúvio, a vivência, a actividade que mais profundamente se aparenta com a actividade vital na organização e reorganização da natureza e do ser humano. No entanto, a actividade do criador não se limita no imitar do mundo e na recriação da actividade humana. Reduzindo-o, abstraindo-o e transformando-o, cria um mundo novo segundo a sua forma de ser e de imaginar, que exprime através da obra formalizada numa estruturação de significantes sempre válida. Simultaneamente, percebemos que a criação escapa, em grande parte, à sistematização de processos, por ser guiada por uma causa íntima e pela intuição. Como descreve Fayga Ostrower, a criação é um processo fluido, altamente dinâmico, de simultâneas sínteses, nas quais se integram o consciente e o inconsciente da pessoa, seu ser sensível, inteligente e imaginativo, seus pensamentos, emoções, desejos e aspirações, sua experiência de vida…, sendo que a arte tem o poder de nos fazer lembrar e nos marcar indiscutivelmente para o futuro do nosso ser.
A forma como aborda a composição musical, fazem de Iannis Xenakis um caso paradigmático da composição musical. Sabendo que o pensamento criativo e musical acontece de modo variável de um indivíduo para o outro, pois surge enquanto trajectória de uma energia psíquica própria que se estabelece entre o desejo e a realização, verificamos que neste autor este se manifesta de uma forma nova, diferente. O conhecimento, seja de que natureza for, tende a moldar- se e a adequar o cerebral, objectivando-se na obra e no objecto de arte. Neste fazer, a promoção da interface arte-ciência encerra uma mais-valia no que respeita à comunicação de ciência pela arte já que permite a intrusão da ciência num sector do qual foi alheada por muito tempo. Xenakis ao desenvolver o sistema UPIC, permite não só o eclodir de uma nova forma de conceber e formalizar o musical, como a projeção de um novo olhar sobre o som, o espaço, o ser e a obra. Nesta proposta propomo-nos a refletir sobre estas questões traduzidas no seu corpo de obra realizado sobre este suporte de criação. De facto, a arte per se, e a sua produção em particular, constitui um desafio no processo de transformação social e cultural, imprimindo alterações profundas no comportamento do homem. Assim, ao permitir o fluir de conceitos e saberes entre ciência e arte, a realização artística culminará, a longo prazo, na mudança de atitude face ao mundo e ao indivíduo, Xenakis um seu instrumento.


Daniel Teruggi | Pensar a criação sonora e musical através da tecnologia
A utilização da tecnologia digital para a criação encontra-se totalmente instalada na nossa prática musical, na actualidade. O fenómeno sonoro conquistou uma nova dimensão que permite ao compositor ou inventor de sons dispor duma colossal diversidade de ferramentas técnicas. Como é que esta situação influenciou e modificou o nosso pensamento musical? Que caminhos poderá enfrentar aquele que procura a inovação musical?
Serão apresentados os conceitos operativos para a exploração sonora e musical assim como ferramentas (GRM Tools, Acousmographe, GRM Player) que exploram algumas das possibilidades de trabalhar o som com um objectivo musical. Serão igualmente apresentadas diferentes correntes de pensamento actuais, bem como o actual papel do compositor.

Ricardo Guerreiro | Música e tecnologia: fins, meios e o factor humano
A reflexão sobre os meios e sobre como integramos as relações humanas num domínio tão tecnologicamente mediado como é hoje a música, ajuda-nos a definir como, enquanto compositores, artistas e ouvintes, enfrentamos os diferentes mecanismos de poder implicados. Na sua essência, o artefacto tecnológico resulta da abordagem humana para encontrar uma solução sistematizada. Habitualmente, quanto mais eficaz esta solução é mais fácil se torna esquecer o problema que a originou. Se tomamos valores estéticos como fonte das nossas inquietações, devemos então admitir um conjunto inteiramente distinto de questões ontológicas. Tal como não é possível discutirmos o pensamento fora da linguagem, também não será, provavelmente, possível discutirmos música para lá do plano abstrato – cultural, teórico e material – a partir do qual é feita. Ao longo da história, a partitura musical coincidiu com o momento cristalizado representativo da obra musical. Como podemos enfrentar um processo de criação musical desenvolvido a partir de uma notação que visa configurar um espaço de abertura, isto é, que deixa por definir os contornos exactos da sua realização concreta? A tecnologia digital promove simultaneamente a opacidade e a transparência. Este facto atesta o seu profundo carácter epistemológico. A maneira como nós, enquanto músicos, avaliamos a literacia de cada um dos meios disponíveis descreverá, em última análise, como compreendemos a relação imbricada entre ferramentas, técnicas, nós próprios e os resultados produzidos.

John Chowning | Síntese por FM Synthesis: 50 anos na Arte e na Indústria
Foi em 1957, há 60 anos, que Max Mathews, nos Laboratórios Bell, escreveu o primeiro programa de síntese sonora, Music I, que desenvolveu e divulgou como Music IV em 1963. Correndo em grandes computadores em grandes instituições, a produção musical era lenta e dispendiosa. A minha ingénua descoberta em 1967 da síntese por modulação de frequência foi computacionalmente eficaz, com poucos controles mas percepcionalmente salientes e espectros com variação temporal. Isto conduziu a um rápido aumento da música sintetizada por computador. Aprendemos muito sobre a percepção do som à medida que envolvíamos as nossas capacidades auditivas em torno da tecnologia e descobrimos como criar música a partir de unidades fundamentais. Já em 1983, sob licença da Universidade Stanford, a Yamaha lançou o famoso sintetizador DX7. Conjugado com um computador pessoal através do desenvolvimento do MIDI, a música por computador “chegou às ruas” estendendo-se à produção musical.
Esta apresentação inclui animações que demonstram o meu desenvolvimento da síntese por FM deste as primeiras experiências, há 50 anos, à sua utilizaçãoo em 1971 e 1978, até à minha composição mais recente.{/slider}

18h30 | c11 Jovens Músicos AnT

Luís Salomé > saxofone

Belquior Guerreiro > guitarra

Fabien Levy (1968) | L’Air d’ailleurs – bicinium (1997) 

para saxofone alto electrónica sobre suporte fixo (ca 9’)

Laurie Spiegel (1945) | Passage (1987-88)
electrónica sobre suporte, 2 canais (ca 14’)

José Luís Ferreira (1973) | I stole a bar from Leo (2010)
para guitarra e electrónica em tempo real (ca 9’)

Pauline Oliveros (1932-2016) | Bye bye Buterfly (1965)
electrónica sobre suporte, 2 canais (ca 8’)

Jean-Claude Risset (1938-2016) | Diptère (2002)

para saxofone alto e electrónica sobre suporte fixo (ca 7’)

Ficha técnica

Direcção Artística

Diana Ferreira, Pedro Bento

Produção

Diana Ferreira

Assistente de Produção

Ana Margarida Lamelas

Informática Musical

Ricardo Guerreiro

Design de comunicação

João Martins

Registo de Imagem

Francisco Ferreira

{/slider}

apoio

brasao cma

agradecimentos

[em actualização]